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Tripulação: Comissários de Bordo / Aeromoças

A história do avião como meio de transporte não foi escrita apenas por pilotos e engenheiros.

Ela também pertence aos comissários de bordo e aeromoças, as chamadas tripulações de cabine, responsáveis pela segurança e o bem-estar de todos a bordo de uma aeronave.

O primeiro comissário de bordo foi um homem, que trabalhou a bordo do zepelim alemão LZ-10 Schwaben, em 1911. A primeira mulher foi uma enfermeira americana de 25 anos de idade, Ellen Church (foto), que assinou contrato com a United Airlines em 1930. Foi com ela que surgiu o termo aeromoça, usado durante muito tempo porque as companhias de aviação preferiam contratar mulheres jovens, na faixa dos 20 anos, para este serviço.

No começo exigia-se que todas tivessem curso de enfermagem para poder socorrer os passageiros em caso de um acidente ou mal-estar durante o voo. A exigência acabou na década de 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, quando a maioria das enfermeiras foi prestar serviço nos hospitais militares e as empresas de aviação passaram a dar seu próprio treinamento às comissárias de bordo.

A profissão sempre sofreu com o preconceito da parte do público e dos meios de comunicação. Para a maioria das pessoas as comissárias de bordo não passam de garçonetes voadoras, cuja função é servir refeições e bebida para os passageiros de um avião. Isso é o que elas fazem a maior parte do tempo, mas se alguma coisa der errado e surgir uma emergência durante um vôo é função da tripulação de cabine proteger os passageiros e ajudar os pilotos a concluir a viagem em segurança.

Não subestime aquelas mulheres de uniforme elegante, empurrando carrinhos de comida pelo corredor entre as poltronas e servindo champanhe para os passageiros da primeira classe. Inúmeras vezes, em situações trágicas, elas já mostraram que estão dispostas a sacrificar suas vidas para proteger os passageiros sob sua guarda.

HEROÍSMO – Um dos momentos mais heróicos da profissão aconteceu na madrugada do dia 17 de outubro de 1956, quando o vôo 943 da Pan American, em rota para o Havaí, sofreu uma pane num dos motores e desceu no mar. O Boeing Stratocruiser “Sovereign of the Seas” teve a cauda arrancada pelo impacto com as ondas, e começou a afundar assim que parou. Mas graças aos esforços das aeromoças Patrícia Reynolds, Mary Ellen Daniel e Katherine Araki todos os 24 passageiros e tripulantes conseguiram passar para as balsas salva-vidas, infladas pela tripulação e foram salvos por um navio da guarda-costeira.

A sorte e a perícia dos pilotos também ajudaram a garantir um final feliz. O mar estava calmo, e os pilotos conseguiram fazer o avião deslizar horizontalmente sobre o mar. Mas sem a ajuda das três comissárias de bordo não teria sido possível retirar todas as pessoas de dentro da fuselagem partida pelo impacto.
Patrícia, Mary e Katherine se salvaram, mas esse tipo de trabalho às vezes exige um sacrifício total.

Foi o que aconteceu com a comissária de bordo Mary Frances Housley da National Airlines, em janeiro de 1951. O avião onde trabalhava, um DC-4, saiu da pista e pegou fogo ao pousar durante uma tempestade de neve no aeroporto de Filadélfia. Mary Frances conseguiu abrir as portas de emergência e retirar a maioria dos passageiros da cabine. Mas morreu queimada enquanto tentava resgatar duas crianças que tinham ficado na cauda. Os sobreviventes testemunharam que a pequena Mary Frances, de 24 anos e 1,60m de altura, podia ter fugido pela porta quando o avião pegou fogo. Mas ela se recusou a sair enquanto ainda houvesse um passageiro a bordo.

Mais recentemente, durante o ataque terrorista do 11 de setembro de 2001, as comissárias Sandra Bradshaw, Madeline Sweeney e Betty Ong usaram telefones celulares para alertar a torre de controle sobre o que estava acontecendo a bordo dos jatos tomados pelos terroristas. E foram mortas bem antes do impacto contra as Torres Gêmeas, enquanto tentavam proteger os passageiros dos facínoras da Al Quaeda.

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O mito da aeromoça ‘sexy’
Felizmente, episódios trágicos são muito raros, e 99,99 porcento dos voos terminam de forma tranqüila. Talvez por isso o cinema insista em perpetuar o mito da aeromoça “sexy” e disponível, como a personagem interpretada pela Gwyneth Paltrow no filme de Bruno Barreto, “Voando Alto”. Esse mito vem da década de 1960, quando fez sucesso um livro chamado “Café, Chá ou Eu: Memórias Desinibidas de Duas Aeromoças”, supostamente escrito por duas comissárias de bordo americanas, Trudy Baker e Rachel Jones. Depois se descobriu que os nomes eram falsos e que o livro fora escrito por um homem, Donald Bain.

Além dessas infâmias, a profissão sofreu muito com a desregulamentação das companhias aéreas e a queda no número de passageiros. Algumas empresas deixaram de oferecer refeições a bordo e demitiram em massa. Mas a entrada em serviço dos novos aviões gigantes, como o Airbus 380, garante que as tripulações de cabine vão continuar ativas, garantindo o bem-estar e a segurança de todos aqueles que voam pelos céus do mundo. Um site interessante para se visitar é o da coleção de uniformes das aeromoças, antigos e modernos, de linhas aéreas do mundo inteiro, reunida por um comissário de bordo da KLM em www.uniformfreak.com (JLC).

1 Comentário

  1. eu gostaria muito de ser comissario de voo tenho 1,62 de altura 23 anos, mas em 2009 fraturei a perna esquerda e tive q colocar platina mas não tenho nenhuma sequela ando normalmente uso salto alto mas gostaria de saber se isso interfere em ser uma aeromoça.

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