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RH da TAM – dica de leitura para conhecer melhor a área de recursos humanos da empresa aérea

O artigo abaixo foi retirado do site empregos.com.br. A entrevista foi realizada com Roberto Hobeika – profissional de gestão de recursos humanos que trabalhou na TAM entre 1979 e 2008.

Apesar de não fazer mais parte da companhia, acreditamos ser interessante o texto pois há muitos conceitos em relação à política e filosofia da TAM que permanecem até hoje apesar de mudanças que ocorreram nos últimos anos.

Ele começou como mensageiro do comandante, aos 15 anos. Depois passou pelo setor de Estatística, Departamento Pessoal e, finalmente, chegou à área de Recursos Humanos, de onde nunca mais saiu (até 2008). Primeiro como supervisor, depois passou a gerente e então chegou à direção de RH, cargo que ocupou até 2008. Parece conto de fadas, mas é a trajetória de Roberto Hobeika, que trabalhou na TAM, a maior companhia aérea do Brasil.

– Dicas para seleção de comissários de bordo

O que a TAM leva em conta na hora de contratar um novo funcionário?
Roberto Hobeika – Depende muito do cargo, mas há algumas características que buscamos em todos os funcionários. O candidato que tem bom humor, espírito de servir e, claro, uma boa apresentação pessoal, sai na frente, principalmente no caso dos atendentes e comissários. São atitudes que fazem parte da política da empresa e prezamos muito em um funcionário. Em boa parte dos cargos a habilidade técnica é mais importante. Temos como política enfatizar não só o que o funcionário tem, mas também o que ele quer – é aí que entra a política de benefícios da TAM, que apresenta vários diferenciais em relação às outras organizações.

Como funciona a política de benefícios da TAM?

Roberto Hobeika – Investimos muito no treinamento, é a base para reter talentos e garantir motivação. Em dezembro de 2001 inauguramos a primeira parte da “Academia de Serviços”, centro de treinamento com salas de aula equipadas e ambientes especiais de simulação de vôo direcionados para pilotos. A próxima etapa será a construção de uma aeronave especialmente desenhada para treinamentos e uma piscina para que comissárias possam fazer exercícios práticos de sobrevivência no mar (já em funcionamento).

Fizemos também uma parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que possibilitou que fosse criado um MBA que atendesse às nossas necessidades. É o MBA de Administração de Empresas com foco em Transporte Aéreo. Foi feito um processo seletivo interno e 80 funcionários foram contemplados com a bolsa, que é integral. Além desses diferenciais, a empresa fornece benefícios mais comuns, como seguro-saúde, plano odontológico e previdência privada. Os colaboradores também têm direito a passagens aéreas, que eles podem dar para a família ou os amigos. Estabelecemos cotas, que são pré-definidas pelo tempo de casa do funcionário e determinam o número de passagens a que ele tem direito.

A empresa faz uso de e-learning?
Roberto Hobeika – Fazemos treinamentos via CD-ROM, ainda não temos um sistema online. O curso é dirigido para profissionais técnicos e também faz parte do treinamento de pilotos. Mas a implantação de e-learning está nos planos da TAM, sem dúvida.

Vocês fazem recrutamento interno?
Roberto Hobeika – Sim, o recrutamento interno é muito utilizado aqui. Cerca de 50% dos comissários de bordo são recrutados internamente. Nos cargos superiores, este índice chega a 90%. Mantemos um extenso banco de dados com funcionários que têm interesse em mudar de área, e sempre recorremos a eles assim que surge uma vaga. A TAM não vê a recolocação como um quadro de carreiras, mas sobretudo como um quadro de oportunidades.

Se as vagas não forem preenchidas internamente, vocês recorrem às consultorias?
Roberto Hobeika – Quando isso acontece utilizamos o banco de vagas externo, com os currículos que chegam pelo correio e pela internet. É muito raro ter que recorrer a uma consultoria para preencher uma vaga.

A empresa investe em responsabilidade social?

Roberto Hobeika – Atendemos cerca de 40 instituições, fazendo doações e incentivando os funcionários a dedicarem um determinado período em prol da causa. Também temos uma política muito forte de contratação de deficientes.

Recentemente, estabelecemos parcerias com várias instituições, como o LAR AMARA (Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual), AVAPE (Associação para Valorização e Promoção de Excepcionais), PADEF (Programa de Apoio à Pessoa Portadora de Deficiência no Mercado de Trabalho), AACD, APAE-SP, Pré-Escola Terapêutica Lugar de Vida (Instituto de Psicologia da USP), entre outras. Pela parceria, a TAM informa as entidades sobre as novas vagas e recebe currículos específicos para os cargos. É bom lembrar que uma coisa é a existência da lei, outra é colocar em prática, porque é mais complicado do que se pensa.

O RH é uma área estratégica na TAM? Por quê?
Roberto Hobeika – Sim, com certeza. Eu acredito que o que diferencia a TAM dos concorrentes é, justamente, o atendimento personalizado, os serviços prestados e a tecnologia (incluindo frota e sistemas de check-in), sendo que os dois primeiros são feitos por pessoas. Ou seja, o RH é muito estratégico porque é um diferencial do nosso sucesso.

Como a empresa lida com o stress e desgate físico dos pilotos e comissários de bordo? Existe algum programa de qualidade de vida voltado para esses funcionários?
Roberto Hobeika – Temos várias ações que começaram com foco nesses profissionais, mas hoje atingem a companhia como um todo. A primeira delas é a concessão de passagens para os funcionários que precisam se deslocar de cidade, seja para um tratamento médico ou cirurgia. Com esta iniciativa recebemos o prêmio “Amigo do Coração”, do Hospital do Coração. Também fazemos palestras sobre como ter uma vida mais saudável, como se alimentar bem, enfim, temas que mostrem como ter uma melhor qualidade de vida.

Qual a sua opinião sobre as medidas para a flexibilização da CLT?
Roberto Hobeika – Eu sou a favor, sem dúvida. A CLT é muito antiga, a flexibilização vai ser boa para qualquer empregado. Não acho que deveria acabar a lei, apenas atualizar, mas com muita responsabilidade. No caso das companhias aéreas, sofremos ainda mais por que tem uma lei que regulamenta a profissão dos aeronautas (profissionais que atuam voando, como comissários e pilotos) e aeroviários (atendentes nos aeroportos, funcionários administrativos, financeiros, ou seja, funcionários que não “voam”).

Qual o turn-over da empresa hoje?
Roberto Hobeika – Ele está em torno de 0,89%, índice relativo ao mês passado. A rotatividade gira em torno de 180 pessoas novas por mês, sendo que 50 é turn over e 130 é resultado do crescimento da empresa. Temos essa demanda principalmente na área de atendimento ao cliente.

Leia aqui a política de gestão de pessoas da TAM e envie o seu currículo.

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