Início / Aviação / Cursos na Aviação / Piloto de helicóptero: curso, salário, vagas
asasrotativas

Piloto de helicóptero: curso, salário, vagas

Uma carreira pronta para decolar!

Filipe Daumas, 32 anos, copiloto da BHS, optou pela carreira de piloto depois de atuar durante 11 anos na área administrativa na indústria aeronáutica. “Precisei decidir entre fazer um MBA ou mudar de segmento para progredir.”

O bom desempenho das empresas brasileiras nos últimos anos e, particularmente, o aquecimento da indústria de óleo e gás no país são os principais responsáveis pelo bom momento para quem segue – ou pretende seguir – a carreira de piloto de helicóptero.

Rodrigo Duarte, presidente da Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero (Abrahpe), explica que o setor passou por um “boom” em 2007 e 2008. Agora, a área segue em ascensão, mas de forma estável, com incremento anual entre 15% e 20%.

Curso Piloto Helicóptero

A perspectiva, segundo especialistas na área ouvidos pelo jornal Valor, é que esse bom momento continue. “Não vejo uma mudança de cenário pelos próximos oito anos”, afirma Rodrigo Scoda, diretor da Edra Aeronáutica, escola de aviação com mais de 20 anos. Somente a Edra forma cerca de 150 profissionais por ano. No Brasil, hoje, existem cerca de 3.400 pilotos comerciais de helicóptero em atividade.


Salário – Piloto Helicóptero

As principais demandas por profissionais, assim como os melhores salários, concentram-se em dois setores: executivo e offshore. No primeiro caso, os pilotos recebem entre R$ 20 mil e R$ 35 mil por mês para levar profissionais do alto escalão de grandes empresas para seus compromissos pessoais e de trabalho. Já os que fazem voos offshore em empresas de taxi aéreo prestam serviço para petroleiras e embolsam entre R$ 14 mil e R$ 20 mil mensais para transportar equipes de trabalhadores para as plataformas localizadas em alto-mar.

A jornada desses profissionais é bem diferente do dia a dia executivo. Luciano de Oliveira, piloto corporativo em São Paulo, conta que trabalha em média 20 horas por mês. Aos 33 anos de idade e com mais de 4 mil horas de voo na bagagem, ele tem uma habilitação que o autoriza a comandar um Augusta, helicóptero top de linha com oito lugares e dois motores. Além do expediente normal de segunda à sexta, ele às vezes é requisitado pelos executivos nos fins de semana para viagens rumo ao litoral ou ao interior. “Normalmente, os voos são pré-agendados. Saio de casa apenas no horário combinado para preparar o helicóptero e pegar os passageiros”, explica.

A média de horas de trabalho de Oliveira está dentro do padrão de mercado. Quem trabalha com táxi aéreo, no entanto, tem uma jornada mais extensa, de aproximadamente 60 horas mensais. Já os tripulantes dos voos offshore são os que ficam mais tempo no ar: cerca de 80 horas por mês. Este, aliás, é o máximo permitido pela regulamentação do setor, que impõe limites no tempo de voo para garantir a segurança de passageiros e tripulantes. O expediente é bem menor do que daqueles que comandam aviões, que têm permissão de voar até 176 horas por mês.

Oliveira terminou o curso de piloto de helicóptero aos 18 anos. Nessa idade, já somava as cem horas de voo necessárias para conseguir sua habilitação. Assim como acontece com a maioria dos profissionais em início de carreira, seu primeiro emprego foi como instrutor de voo. Nessa função permaneceu por cinco anos, até conseguir ultrapassar as 500 horas de voo exigidas pelo mercado de aviação executiva e offshore para trabalhar como copiloto. “Na época, o mercado não estava tão aquecido e, por essa razão, fiquei bastante tempo como instrutor. Hoje, um piloto recém-formado consegue a experiência necessária em apenas um ano”, diz Oliveira.

Apesar de a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) exigir cem horas de voo para emitir a licença de piloto, o mercado não contrata copilotos com menos de 500 horas de experiência no ar. “É como em qualquer outra profissão. Nenhuma companhia vai permitir que um novato tome decisões importantes”, explica Scoda, da Edra.

Os pilotos que fazem voos offshore têm uma rotina ainda mais diferenciada e seguem as escalas dos profissionais que trabalham na indústria petrolífera. Desse modo, alternam 15 dias de trabalho com 15 de descanso. Nas duas semanas do mês em que está trabalhando, Filipe Daumas, copiloto da BHS – Brazilian Helicopter Services, faz entre três e quatro voos diários para plataformas de petróleo. Cada viagem, ida e volta, leva aproximadamente duas horas. “Seguindo esse planejamento, em 15 dias já alcanço o número de horas permitidas para voar e posso descansar no resto do mês”, diz.

Formado em psicologia, Daumas tem 32 anos e optou pela carreira de piloto depois de 11 anos de experiência administrativa na indústria aeronáutica. Durante esse período exerceu funções diversas de manutenção, controladoria, auditoria, treinamento e segurança de voo. “Cheguei em um momento da minha carreira que precisei decidir entre fazer um MBA para continuar progredindo ou mudar de segmento”, conta.

Foram três os fatores principais que o levaram a seguir a carreira aérea: perspectiva de crescimento profissional, a rotina diferenciada e a possibilidade de, ao mesmo tempo, viver longe das grandes cidades e obter uma remuneração elevada. “Estava cansado de pilotar o computador e trabalhar das oito às cinco”, diz. “Escolhi a aviação offshore pela escala, que permite ter uma boa qualidade de vida.” Atualmente, ele trabalha em Macaé e vive em Rio das Ostras, ambas cidades no litoral fluminense.

Desde 2007, o número de licenças emitidas pela Anac para pilotos de helicóptero cresceu 97% – em 2011, foram 871. A perspectiva de crescimento da economia brasileira, a futura exploração do pré-sal e os grandes eventos esportivos que o país vai sediar – Copa do Mundo em 2014 e Olimpíada em 2016 – vão demandar ainda mais profissionais. “Somente no setor offshore, a estimativa é que a procura por pilotos dobre até 2020”, afirma Duarte, da Abrahpe. Segundo dados da Associação, o Brasil tem hoje a quinta maior frota de helicópteros do mundo, com cerca de 1.500 aeronaves.

Tornar-se piloto comercial de helicóptero, no entanto, requer dedicação, tempo e dinheiro. Antes de tudo, o candidato – que precisa ter pelo menos 18 anos e 2º grau completo -, passa por um exame médico feito em um hospital da Aeronáutica para avaliação física e psicológica.

Passada essa etapa, é preciso fazer um curso teórico com duração de três ou quatro meses e uma prova aplicada pela Anac. Curso e teste englobam questões sobre regulamentação aeronáutica, conhecimentos técnicos da aeronave para a qual é solicitada a licença, desempenho e planejamento de voo, limitações humanas, meteorologia, navegação aérea, procedimentos operacionais e de radiocomunicações e teoria de voo.

O tempo necessário para se formar varia conforme a disponibilidade de horários e dinheiro do candidato. É preciso também fazer um curso prático que inclui cem horas de voo com um instrutor e um “voo de cheque” – prova prática que avalia o aluno. Todo o processo sai por cerca de R$ 80 mil. Rodrigo Scoda, diretor da escola de formação de pilotos Edra Aeronáutica, explica que cada hora sai por cerca de R$ 800. É possível, no entanto, fechar o pacote com as cem horas logo no início do processo e ganhar algum desconto.

Depois disso, é preciso fazer mais cursos e provas teóricas, além de horas de voo adicionais e “voos de cheque” para cada especialização no currículo. Há um curso teórico específico, por exemplo, para se tornar instrutor, com duração de duas semanas e mais a obrigatoriedade de um curso prático com dez horas de voo.

Já a certificação para voos por instrumentos (IFR), necessária para quem atua como piloto offshore, requer um curso teórico de três semanas em período integral e mais 30 horas de “voo sob capota”, que simula a falta de visibilidade para o comandante.

O piloto de helicóptero também precisa fazer um novo curso teórico e prático para cada aeronave que pretende comandar – além de passar por uma reavaliação anual. “É um processo trabalhoso, mas recompensador”, garante Daumas. “A vista que tenho do meu ‘escritório’ somada à sensação de liberdade que o helicóptero proporciona faz com que eu me sinta privilegiado em ter essa profissão”, completa.

Com informações do jornal Valor. | Foto: chris happel

Deixe um comentário

O seu email não será publicado. Campos marcados são obrigatórios *

*