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Passageiros famosos: o que fazer?

Todo tripulante já levou algum famoso a bordo ou ao menos já presenciou algum comportamento excêntricos no voo.

Quando lidamos com personalidades e pessoas famosas a bordo do avião, as regras básicas das boas maneiras e o profissionalismo nos direcionam para não termos um ataque de tiete ou fã incondicional. Desse modo é fundamental que encontrar com esse tipo de pessoa, o comissário de voo aja naturalmente como se a pessoa fosse um passageiro como todos os outros.

Ou seja, como faz com os demais passageiros, jamais chame a celebridade de “você”. Lembre-se que ela permeia sua vida através da mídia (rádio, TV, cinema, teatro, esportes, etc.), mas ela não o conhece. Você até pode se achar íntimo dela, mas ela nunca o viu pela frente. Lembre-se de que intimidade demais é deselegante. Não é o nosso papel a bordo!

Como vimos no artigo anterior, algumas pessoas querem somente “sossego”quando viajam e, muitas vezes, até nos solicitam para evitar pedidos de autógrafos ou fotos. Seguindo a ética profissional e o bom senso devemos sempre acatar seus pedidos.

Dentro do avião ele é igual às outras pessoas, e pode sentir-se incomodado se não sentir por parte dos tripulantes esta preocupação – ele escolheu a empresa na qual trabalhamos, então devemos fazer o possível para tornar a viagem dele o mais agradável possível.  Devemos ficar atentos e observar se estão sendo assediados e aborrecidos por passageiros “sem noção”. Claro que não seremos guarda costas de celebridades, mas podemos ajudá-lo a ter uma boa viagem, depois ele que se entenda com seu fã clube.

Não é surpresa, mas há muitos que colocam os óculos de sol, só tiram em casa e são do tipo: sou-conhecido-não-quero-que-me-aborreçam-bando-de-chatos! Já se o famoso for receptivo e simpático é diferente, mas nosso comportamento deve ser sempre o mais discreto possível.

Existe a celebridade que intitulamos com “instantânea”, ou aquele “famoso quem?”. Este tipo faz questão de ser notado. Levanta-se, vai até o toalete, até a galley, puxa conversa, etc. Podemos deixá-lo ter seu momento de glória a bordo? Sim, mas desde que não atrapalhe o bom andamento do voo. Após uma foto ou autógrafo com algum fã, nossa atitude deve ser: – sente e aperte seu cinto, senhor!

Tem uma historinha que aconteceu de verdade e virou folclore na aviação. Determinada cantora entrou no avião, olhou para a comissária e disse: – “Oi, sou a fulana de tal”.

A comissária que não a conhecia respondeu: – “Olá! Bem vinda a bordo! Você é base Rio ou São Paulo?”. Na correria do embarque a tripulante achou que a artista fosse um comissário voando de extra. Saia justa formada, a cantora e a aeromoça não sabiam o que fazer. Imaginem a situação!

Presenciamos um pouco de tudo em nossa “vida voadora”: atriz jogando charme para conseguir viajar na primeira classe, político falando alto ao celular durante o embarque, ator que após conseguir um “upgrade” para a classe executiva nem um “obrigado” disse à tripulação, uma cantora que ia aos EUA pela primeira vez e queria treinar o inglês dela conosco, outros que ao pegarem o copo também seguram a mão da aeromoça cheios de charme e falta de noção, e por aí vai…

São histórias e mais histórias, ficaríamos aqui escrevendo durante um bom tempo. Aos poucos iremos contando outros casos curiosos. Reis, presidentes, atores, cantores, atletas, celebridades e outras nem tanto, viajam conosco pelos céus do mundo.

Estas pessoas gostam de ser tratadas como qualquer ser humano normal. Aliás, se pensarmos bem, eles são normais, só que tem uma exposição por conta de sua profissão ou função, concordam comigo?

E as pessoas que adoram conversar conosco? Até aí nada demais, certo? Depende. Antes da decolagem é complicado, pois estamos envolvidos com o embarque.

Durante o serviço de bordo pode atrapalhar o andamento do mesmo. Terminado o serviço de bordo é a nossa hora de ir ao banheiro, retocar maquiagem, comer ou beber alguma coisa e com passageiro ao lado não dá. Além disso, não é permitido que passageiro fique em pé dentro da galley. Portanto, um papo a bordo, só em voos longos mesmo. Não podemos ser indelicados e devemos evitar muita intimidade com conversas longas.

E os chatos? Estes aí não têm jeito mesmo: chato é chato em qualquer lugar!
Paciência, muita paciência sempre!

O nosso bom senso deve ser nosso companheiro inseparável!  Quando estamos uniformizados estamos representando a empresa que trabalhamos, portanto, postura e profissionalismo acima de tudo.

Saber trabalhar com o público é um dom. São diversas experiências novas a cada etapa do voo, a cada nova escala que ficarão para sempre em nossas vidas.

Felizes são os que conseguem aprender com elas!

Bons voos a todos!

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