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Meu primeiro voo em instrução (madrugadão)

Hoje foi meu primeiro voo, um “madrugadão” GRU – REC.

Um voo considerado difícil, pois se em voos diurnos já é possível acontecer diversas situações inusitadas, em um madrugadão as chances aumentam. Tudo isso devido aos “fetiches nossos de cada dia”, vícios incontroláveis, ao poder da lua talvez, e as facilidades do escurinho da cabine.

No início, o comissário de voo passa por um período de instrução, ou seja, está sempre acompanhando a escala de uma mesma chefe de cabine. Eu não poderia ter tido uma chefe mais simpática e atenciosa. Aliás, na aviação, principalmente na empresa onde trabalho as pessoas são, em geral, muito gentis e sempre prestativas.

Quando cheguei ao aeroporto de Cumbica para minha apresentação, por volta das 23h, fui fumar um cigarro para ver se me acalmava um pouco de tanto frio na barriga e ansiedade que me encontrava. Logo já encontrei outra aeromoça fumando seu cigarro para passar seu tempo de reserva – período que o tripulante fica à disposição da empresa caso haja algum imprevisto e um tripulante que compõe a tripulação de determinado voo não se apresente a tempo.

Disse à comissária fumante que seria meu primeiro voo e ela me ajudou a passar a ansiedade dizendo que eu iria adorar e que o voo seria ótimo. Contou uma história sobre seu tempo de instrução, onde sua instrutora, talvez não tão simpática quanto a minha, lhe advertia de que ela iria chorar todos os dias (realmente a vida do tripulante não é feita só de flores como muitos podem imaginar). Porém, segundo esta comissária, ela mesma chorou somente uma única vez. Claro que não perguntei porquê, mas fato é que após conhecer minha instrutora saberia que ao invés de chorar eu iria sim, dar muitas risadas.

– Comissário de bordo: dicas sobre a profissão

Apresentamos-nos aos outros membros da tripulação e fomos à sala de briefing – onde é realizada uma preparação para o voo, o comandante fala sobre o tempo de voo, quantidade de passageiros, meteorologia, etc. Para completar minha onda de sorte, não haveria nenhuma turbulência.

O voo estava cheio, com muitas pessoas que viajavam de avião pela primeira vez. Um fato bom ao saber que dependemos de clientes para ter nossos empregos garantidos, e novas oportunidade de crescimento dentro desta ou de outra empresa aérea.

Na aviação a hierarquia é seguida de forma estrita e as posições dentro do avião devem seguir esta regra. Ou seja, eu como mais novo, deveria seguir na posição galley na parte traseira do avião. Contudo, minha chefe fez questão de que eu ficasse na parte dianteira acompanhando ela. Desse modo, ela poderia me dar mais atenção e me instruir melhor com seu conhecimento e experiência de mais de 15 anos na aviação.

Chegamos no avião e iniciamos nossas atividades – checar os equipamentos de segurança. Minha chefe mostrou-me tudo e ainda ajudou muito nas atividades que, na teoria, deveriam ser executadas por mim. Com isto ela me deu um exemplo de profissionalismo, além de me dar um excelente exemplo visto que na aviação devemos sempre trabalhar em equipe.

Nos voos seguinte já fui com a função de A2 – o galley. O galley é responsável por toda comissaria. Além de checar os equipamentos, ele confere a entrada das refeições, as bebidas, etc. Minha instrutora deixou os outros comissários lá na frente e seguiu os voos comigo lá atrás.

Nos próximos posts conto mais sobre este meu período de instrução…

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