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Mecânico de Manutenção de Avião: quais requisitos?

A área de manutenção de aeronaves tem crescido no Brasil, contudo é um setor que exige mão-de-obra qualificada.

Com o crescimento da aviação civil no país, por mais que as empresas aéreas adquiram novas aeronaves cada vez mais será necessário realizar a manutenção preventiva das frotas, e este setor ainda é carente de profissionais qualificados em várias especialidades.

Durante décadas o poder público ignorou a necessidade de incentivar a formação de mão-de-obra especializada em manutenção aeronáutica. Havia poucas escolas técnicas, em outras palavras praticamente só  o ITA e a FAB. Dada a necessidade, as empresas aéreas acaba que evam por formar profissionais, sem garantir sua certificação.

O cenário parece começar a mudar. Hoje, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) já realiza estudos e planeja possíveis programas de desenvolvimento da profissão. A agência reguladora da aviação civil brasileira vem se mostrando bastante preocupada com o quadro atual da aviação no país no que se refere a formação de especialistas nessa atividade. A carência de especialistas no setor é cada vez maior, ecoando o desafio de preparar pessoas para atuar na aviação em pouco tempo sem perder a qualidade do treinamento.

A fim de exemplificar a situação do setor aeronáutico no país, saiba que para formar um mecânico com total capacidade para solucionar os mais diversos problemas de manutenção de uma aeronave leva-se em média de 3 a 5 anos. No início, o candidato passa por um curso de formação com carga horária de 1014 horas. Após ser aprovado neste curso, o caminho seguinte é realizar a banca de exames da Anac para que possa ser emitido o CCT – Certificado de Capacidade Técnica do futuro profissional oferecendo ao mesmo condições de trabalhar em uma empresa de manutenção de aeronaves ou companhia aérea exercendo a função de ajudante de manutenção aeronáutica.

Neste momento, o profissional já encontra-se inserido no mercado de trabalho, porém ainda com um longo caminho a percorrer e muitas coisas para aprender. Somente após ter cerca de pelo menos três anos de experiência na função é que o mecânico poderá solicitar o seu CHT – Certificado de Habilidade Técnica junto à Anac. Com o certificado o profissional ainda tem que se qualificar para trabalhar nos diversos modelos de aeronaves existentes como Airbus, ATR, Boeing, Bombardier, Citation, Embraer, Fokker, etc.

Quando o assunto é manutenção de aeronaves, as autoridades aeronáuticas são unânimes em defender o amplo treinamento técnico do profissional. Destaca-se não somente o treinamento teórico, como também o treinamento prático. Em inglês “On the Job Training”, ou seja, o “Treinamento no Local de Trabalho”, que é aquele que fornece sustentáculo para o mecânico aeronáutico adquirir as habilidades necessárias para se atuar com segurança e qualidade nas operações e na manutenção de aeronaves.

Há companhias aéreas brasileiras que realizam voos para outros países da América Latina, Europa e EUA. Estas, além de atenderem as exigências das autoridades brasileiras, também precisam cumprir determinações de órgãos reguladores locais desses países como o FAA, nos  EUA e a EASA, na Europa.

As empresas de manutenção aeronáutica, comumente designadas pela sigla MRO – Maintenance Repair Overhaul, como a brasileira VEM – Manutenção e Engenharia, que atende clientes de diversos países, precisam ter seus funcionários de manutenção certificados pela Anac, FAA e Easa para que possam realizar as tarefas de manutenção e liberação de serviços. Para tanto é preciso que cumpram as exigências legais estabelecidas nos regulamentos dessas autoridades.

Com o artigo acima, quisemos alertar para as singularidades de tão importante setor no meio aeronáutico. Podemos notar, por exemplo, que esse mercado é bastante exigente e o bom profissional precisa de tempo para moldar seu perfil e adquirir a habilidade necessária para executar os serviços pertinentes sem riscos e com plena confiança.

Fica claro que as empresas aéreas, escolas de aviação e o governo em suas diversas esferas juntem forças para conciliarmos velocidade e qualidade na formação destes profissionais que estão cada vez mais escassos. Acreditamos que o governo possa contribuir atuando de forma mais contundente na área, como a fomentação de disciplinas relacionadas nas escolas públicas e universidades federais.

O governo urge em tratar a aviação civil como uma atividade estratégica dentro da política econômica e de desenvolvimento nacional. Não podemos esperar que só aqueles que podem pagar por um curso de formação de mecânico ou piloto de aeronaves sustentem esse esforço de manter o setor aéreo funcionando. Temos também que abrir espaço para aqueles que desejam, mas não têm recursos para enfrentar o desafio que é tornar-se um profissional competente e apto para o mercado.

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