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História da Aviação: Em busca da velocidade

Antes da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a maioria dos especialistas achava que o futuro do transporte aéreo estava nos hidroaviões. Existiam poucos aeroportos no mundo e uma aeronave capaz de pousar e decolar da água podia transformar qualquer rio, baía ou enseada num campo de pouso.

Mas o hidroavião era lento, levava um dia inteiro para cruzar o Atlântico, e não tinha a autonomia necessária para longos vôos internacionais. Mesmo assim, a empresa americana Pan Am operou rotas para a Europa e o sul do Pacífico, com muitas escalas para reabastecimento. Um voo desse tipo foi mostrado no primeiro filme do Indiana Jones, “Os Caçadores da Arca Perdida”.

– Entenda sobre a história da aviação com o blog Meio Aéreo

Tentativas como a do milionário Howard Hughes, de criar um enorme hidroavião jumbo, fracassaram. A Segunda Guerra Mundial levou à proliferação de pistas de pouso em todos os continentes e a aviação comercial herdou esta infra-estrutura quando a guerra acabou. Em 1948, os hidroaviões já eram coisa do passado e os quadrimotores baseados em terra dominavam as rotas.

Aviões como o DC-6, o Lockheed Constellation e o luxuoso Boeing Stratocruiser, o “Cruzador da Estratosfera”, percorriam os céus do mundo, cruzando os oceanos em rotas que iam do Ocidente ao Oriente. Já se viajava com conforto, em cabines pressurizadas e o Stratocruiser tinha até leitos. Hoje, os poucos aviões desta época que ainda restam são disputados pelos colecionadores. Em 2003, o ator John Travolta, que é piloto, comprou um Constellation que ia virar sucata.

O único problema era a longa duração das viagens, que incomodava os passageiros. Os projetistas embarcaram então numa busca frenética pela velocidade. O motor a jato tinha sido inventado antes da guerra pelo inglês Frank Whittle e logo as turbinas substituíam as hélices nos aviões de linha. Consagrado cavaleiro do império britânico, Sir Frank Whittle acabou se casando com uma aeromoça que conheceu a bordo de um Boeing. É o que se pode chamar de uma vida dedicada à aviação.

Começo
A primeira geração de jatos comerciais entrou em serviço em 1958. O Boeing 707, o Douglas DC-8 e o Caravelle francês transformaram o mundo na verdadeira aldeia global. Surgiu o chamado “jet-set”: “socialites” que viviam cruzando o Atlântico de Boeing para desfrutar dos lugares chiques e das lojas elegantes da Europa. As 16 horas de voo nos antigos Constellations tinham se reduzido a seis horas de Boeing 707 para ir de Nova York a Paris. Mas os engenheiros achavam que podiam reduzir ainda mais esse tempo. E, em 1960, a aviação comercial sonhou em se tornar supersônica e cruzar o Atlântico em duas horas, a 2200 quilômetros horários.

Em 1961, companhias da Inglaterra e da França se uniram para criar o primeiro avião comercial supersônico, o Concorde, capaz de carregar 128 passageiros a Mach 2 (2400 km/h). Enquanto os europeus construíam o Concorde, os americanos da Boeing sonharam com o avião do futuro: o Boeing 2707 teria quase o dobro do tamanho do Concorde, levando 250 pessoas numa fuselagem ampla, dotada de asas móveis, como as do bombardeiro B-1 Lancer.

Mas havia um obstáculo no caminho dos supersônicos. O estrondo que esses aviões produzem ao romper a barreira sônica. No final dos anos 60, surgiu um “lobby” ambientalista no Congresso norte-americano contra os supersônicos. Quando o Concorde entrou em operação, em 1969, foi proibido de voar sobre os EUA. E sem o lucrativo mercado americano as linhas aéreas cancelaram suas encomendas de jatos supersônicos.

A crise do petróleo
Em 1971, o governo norte-americano cortou o financiamento, e a Boeing cancelou os planos de construir seu avião futurista. Do imponente 2707 restou apenas uma maquete que está hoje no museu aeroespacial Hiller. A crise do petróleo e a alta dos preços dos combustíveis deram o golpe final no Concorde, ainda na década de 70. Apenas duas empresas, a Air France e a British Airways, compraram o supersônico, oferecendo vôos no Concorde de Londres para Nova York e de Paris para o Rio de Janeiro.

Voando sobre o oceano, o estrondo sônico do Concorde não incomodava ninguém e o jato branco, em forma de dardo, operou até o ano 2000 na rota Londres-Nova York. Mas a passagem custava muito caro e só empresários e artistas podiam se dar ao luxo de atravessar o oceano em duas horas.

Quem salvou a Boeing da falência foi uma encomenda da Pan American. A empresa queria um avião capaz de transportar 400 passageiros na velocidade subsônica de 900 Km horários. Assim, não haveria problemas de estrondo sônico. Tecnologia não era problema, enormes motores turbofan já tinham sido desenvolvidos para o avião cargueiro militar C-5 Galaxy. E assim nasceu o Jumbo 747, o avião que mudou a história do transporte aéreo. O futuro não seria dos esguios dardos supersônicos e sim dos gordos e lentos 747, aviões para o transporte de massa, não das elites.

A história da aviação termina na semana que vem com o último desta série de cinco artigos

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