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14-bis

História da Aviação: mais pesado do que o ar

A aviação completa cem anos, sem alarde, neste ano de Copa do Mundo. Foi em 23 de outubro de 1906 que o brasileiro Alberto Santos Dumont fez o primeiro voo público com uma aeronave “mais pesada do que o ar”. O feito é considerado o marco inicial da aviação moderna, ainda que os norte-americanos, e boa parte do mundo, concedam a primazia para os irmãos Wilbur e Orville Wright, que fizeram três voos secretos com seu aeroplano “flyer” sobre uma praia na Carolina de Norte, no dia 17 de dezembro de 1903.

Não importa, o 14-Bis de Santos Dumont, que decolou e pousou sozinho, pode ser considerado o primeiro passo na direção dos modernos aviões comerciais. Já o “flyer” dos irmãos Wright usava uma catapulta para se lançar no ar e foi o antepassado direto dos jatos F-14 e F-18, catapultados rotineiramente dos porta-aviões americanos.

A verdade é que havia uma porção de inventores, no mundo inteiro, trabalhando em projetos de aviões durante a primeira década do século 20. Santos Dumont estava no lugar e na época certa para entrar para a história com o seu 14-Bis. Se tivesse nascido 20 anos antes, seus esforços teriam sido em vão. Se nascesse 20 anos depois, teria sido ultrapassado por uma dúzia de outros inventores da Rússia, EUA, França e Inglaterra.

Projetos de aeronaves existiam desde a época do Leonardo Da Vinci, no século 15. O criador da Mona Lisa chegou a projetar um helicóptero, mas faltava um sistema de propulsão que fosse ao mesmo tempo leve e poderoso. A força motriz da Revolução Industrial, no século 19, foi o carvão e a máquina a vapor. Que era pesada demais para ser colocada num veículo aéreo. O vapor revolucionou a navegação marítima, transformando os antigos veleiros em monstros de metal como o Titanic, mas um avião ou dirigível movido a vapor ficaria tão pesado que mal sairia do chão.

O mundo da aviação só tornou-se possível quando a humanidade mudou a sua base energética do carvão para o petróleo, o que aconteceu exatamente no início da década de 1900, quando Santos Dumont e os irmão Wright projetavam suas máquinas voadoras de madeira e vime. O motor a gasolina podia ser leve e potente e as primeiras experiências foram feitas adaptando a nova máquina aos balões. Com 28 anos de idade, Santos Dumont também foi um pioneiro neste setor ao contornar a Torre Eiffel, em Paris, em 1901, com um balão em forma de charuto chamado número 6, o precursor dos majestosos zepelins dos anos de 1930.

PRIMO RICO – Mas só os alemães apostavam que o futuro da aviação estaria nos balões dirigíveis, os “mais leves que o ar”. Santos Dumont e seus colegas queriam construir máquinas voadoras que usassem os princípios aerodinâmicos do voo dos pássaros, sem precisar de enormes bolsas de gás para se manter no ar. Por estranho que pareça, nosso pioneiro foi o “primo rico” da turma. A maioria dos livros americanos sobre a história da aviação cita Santos Dumont como “o milionário brasileiro que fez o primeiro voo na Europa com um veículo mais pesado do que o ar”.

Em contraste com o nosso rico filho de fazendeiros de café, os irmãos Wright eram fabricantes de bicicletas e gastaram todas as suas economias para construir o seu aviãozinho. Talvez, por isso, eles tenham sido rápidos em comercializar a invenção, construindo aeronaves em série e vendendo uma delas para o Exército norte-americano em 1909, dois anos depois do voo pioneiro do brasileiro.

Uma invenção de progresso muito rápido

O progresso foi muito rápido. Em 1906 o 14-Bis de Santos Dumont percorreu uma distância de 60 metros. Dois anos depois, o francês Louis Blériot atravessou o canal da Mancha, entre a Inglaterra e a França, percorrendo uma distância de 37 quilômetros no seu monoplano Blériot 11. No mesmo ano, de 1909, aconteceu em Reims, na França, o primeiro show aéreo reunindo aviadores do mundo inteiro. Eles disputaram competições de velocidade e altura e, entre os vencedores estavam Henri Farman, com um voo de 180 quilômetros; e o americano Glenn Curtis, que ganhou os prêmios de velocidade com seu Golden Flier. O show de Reims testemunhou também um dos primeiros acidentes aéreos, quando Curtis espatifou sua aeronave, mas escapou ileso.

Como bem mostrou o filme “Esses Homens Maravilhosos e Suas Máquinas Voadoras”, as mulheres adoravam a novidade e começaram a participar dos testes e a aprender a pilotar as frágeis engenhocas dos pioneiros. Na Itália, uma certa senhora Peltier foi a primeira a fazer um voo solo, tornando-se a primeira piloto de avião ainda em 1909. Antes dela, em 1903, uma amiga cubana de Santos Dumont, Aída de Acosta, já tinha pilotado o seu dirigível número 9 em passeios sobre Paris e é considerada por muitos a primeira aviadora.

Esta era dos inventores ousados e temerários termina em 1913, quando Roland Garros voou sobre o Mar Mediterrâneo, percorrendo uma distância de 730 quilômetros. O avião deixara de ser um brinquedo e se tornara um meio de transporte.

A aviação completou cem anos, sem alarde, no dia 23 de outubro de 2006.

Foi em 23 de outubro de 1906 que o brasileiro Alberto Santos Dumont fez o primeiro voo público com uma aeronave “mais pesada do que o ar”. O feito é considerado o marco inicial da aviação moderna, ainda que os norte-americanos, e boa parte do mundo, concedam a primazia para os irmãos Wilbur e Orville Wright, que fizeram três voos secretos com seu aeroplano “flyer” sobre uma praia na Carolina de Norte, no dia 17 de dezembro de 1903.

Não importa, o 14-Bis de Santos Dumont, que decolou e pousou sozinho, pode ser considerado o primeiro passo na direção dos modernos aviões comerciais. Já o “flyer” dos irmãos Wright usava uma catapulta para se lançar no ar e foi o antepassado direto dos jatos F-14 e F-18, catapultados rotineiramente dos porta-aviões americanos.

A verdade é que havia uma porção de inventores, no mundo inteiro, trabalhando em projetos de aviões durante a primeira década do século 20. Santos Dumont estava no lugar e na época certa para entrar para a história com o seu 14-Bis. Se tivesse nascido 20 anos antes, seus esforços teriam sido em vão. Se nascesse 20 anos depois, teria sido ultrapassado por uma dúzia de outros inventores da Rússia, EUA, França e Inglaterra.

Projetos de aeronaves existiam desde a época do Leonardo Da Vinci, no século 15. O criador da Mona Lisa chegou a projetar um helicóptero, mas faltava um sistema de propulsão que fosse ao mesmo tempo leve e poderoso. A força motriz da Revolução Industrial, no século 19, foi o carvão e a máquina a vapor. Que era pesada demais para ser colocada num veículo aéreo. O vapor revolucionou a navegação marítima, transformando os antigos veleiros em monstros de metal como o Titanic, mas um avião ou dirigível movido a vapor ficaria tão pesado que mal sairia do chão.

O mundo da aviação só tornou-se possível quando a humanidade mudou a sua base energética do carvão para o petróleo, o que aconteceu exatamente no início da década de 1900, quando Santos Dumont e os irmão Wright projetavam suas máquinas voadoras de madeira e vime. O motor a gasolina podia ser leve e potente e as primeiras experiências foram feitas adaptando a nova máquina aos balões. Com 28 anos de idade, Santos Dumont também foi um pioneiro neste setor ao contornar a Torre Eiffel, em Paris, em 1901, com um balão em forma de charuto chamado número 6, o precursor dos majestosos zepelins dos anos de 1930.

PRIMO RICO – Mas só os alemães apostavam que o futuro da aviação estaria nos balões dirigíveis, os “mais leves que o ar”. Santos Dumont e seus colegas queriam construir máquinas voadoras que usassem os princípios aerodinâmicos do voo dos pássaros, sem precisar de enormes bolsas de gás para se manter no ar. Por estranho que pareça, nosso pioneiro foi o “primo rico” da turma. A maioria dos livros americanos sobre a história da aviação cita Santos Dumont como “o milionário brasileiro que fez o primeiro voo na Europa com um veículo mais pesado do que o ar”.

Em contraste com o nosso rico filho de fazendeiros de café, os irmãos Wright eram fabricantes de bicicletas e gastaram todas as suas economias para construir o seu aviãozinho. Talvez, por isso, eles tenham sido rápidos em comercializar a invenção, construindo aeronaves em série e vendendo uma delas para o Exército norte-americano em 1909, dois anos depois do voo pioneiro do brasileiro.

Uma invenção de progresso muito rápido
O progresso foi muito rápido. Em 1906 o 14-Bis de Santos Dumont percorreu uma distância de 60 metros. Dois anos depois, o francês Louis Blériot atravessou o canal da Mancha, entre a Inglaterra e a França, percorrendo uma distância de 37 quilômetros no seu monoplano Blériot 11.

No mesmo ano, de 1909, aconteceu em Reims, na França, o primeiro show aéreo reunindo aviadores do mundo inteiro. Eles disputaram competições de velocidade e altura e, entre os vencedores estavam Henri Farman, com um voo de 180 quilômetros; e o americano Glenn Curtis, que ganhou os prêmios de velocidade com seu Golden Flier.

O show de Reims testemunhou também um dos primeiros acidentes aéreos, quando Curtis espatifou sua aeronave, mas escapou ileso.Como bem mostrou o filme “Esses Homens Maravilhosos e Suas Máquinas Voadoras”, as mulheres adoravam a novidade e começaram a participar dos testes e a aprender a pilotar as frágeis engenhocas dos pioneiros. Na Itália, uma certa senhora Peltier foi a primeira a fazer um voo solo, tornando-se a primeira piloto de avião ainda em 1909. Antes dela, em 1903, uma amiga cubana de Santos Dumont, Aída de Acosta, já tinha pilotado o seu dirigível número 9 em passeios sobre Paris e é considerada por muitos a primeira aviadora.

Esta era dos inventores ousados e temerários termina em 1913, quando Roland Garros voou sobre o Mar Mediterrâneo, percorrendo uma distância de 730 quilômetros. O avião deixara de ser um brinquedo e se tornara um meio de transporte.

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