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Comissária de Bordo da TAM

Aeromoça “Deus cedeu os céus para que façamos dele nosso sonho e para que cuidemos dele como se fosse nosso!” Conheça a aeromoça Deusa!

A comissária de voo Deusa, 36 anos, nasceu e mora em São Paulo. Deusa é formada em Pedagogia e aeronauta a mais de 15 anos. Trabalha na TAM Linhas Aéreas a mais de três anos. Confira a entrevista!

Por que você resolveu entrar no mundo da aviação? Quando decidiu que gostaria de se tornar aeromoça?
Eu sempre quis ser comissária, desde criança quando eu via os aviões passarem em cima da minha casa. Eu sempre morei na Zona Norte e aqui é próximo a rota de aproximação para pouso no Aeroporto de Guarulhos.

Quando cresci me tornei professora e o salário não era exatamente o que eu esperava, isso foi mais uma motivação para que eu realmente trilhasse no mundo da aviação.

Logo depois que você se formou, já começou a mandar currículos? Demorou para ingressar em uma companhia aérea?
Sim demorou mais ou menos três anos porque na época, em meados de 1995, a aviação comercial se limitava em basicamente três empresas – Varig ,Vasp e Transbrasil (as três por sinal já não existem mais) e não havia tanta procura. A aviação não era tão popular quanto é nos dias de hoje.

A profissão era o que você esperava?
Sim! Sempre foi.

Você não tem medo de voar? Já passou por alguma situação complicada durante algum voo?
Não! Nada que representasse um perigo real. Pousei uma vez em emergência em Brasília com risco de uma despressurização, mas nada aconteceu… Algumas turbulências mais severas e só. Ou seja, tudo dentro do previsto.

O que é mais fácil e mais difícil em ser aeromoça?
Poxa, difícil essa hein? Creio que o mais fácil é a possibilidade de você se relacionar com várias pessoas, várias culturas, conhecer lugares diferentes… Já o mais difícil é realmente ficar longe da família por alguns dias. Se você é uma pessoa muito ligada a família você vai sentir essa dificuldade ainda mais.

Como é o relacionamento da tripulação comercial (aeromoças e comissários) com a tripulação técnica (pilotos e co-pilotos)?
No geral o relacionamento é muito bom. Claro que às vezes não podemos agradar a todos e nem todos nos agradam, mas penso da seguinte forma: – o máximo que vamos suportar alguém desagradável em nossa tripulação é, na pior das hipóteses, por 6 dias.

Depois disso, a chance de você nunca mais ver a pessoa é bem grande. Dessa forma, faça tudo de forma profissional, que ninguém se estressa. Se não for nada que afete a segurança de voo, pra mim pelo menos, entra por um ouvido e sai pelo outro… Não é como em um emprego comum que você tem que aguentar um chefe chato ou um colega incompetente pelo “resto da vida”. Aqui tudo passa, e se passa que seja da melhor forma possível.

Quando e pra onde foi seu primeiro voo?
Creio que foi em Março de 1998 pra Manaus no Fokker F-100.

Qual o voo foi mais marcante pra você até agora? Por quê?
Nossa! Não dá nem pra relacionar, mas creio que foi um voo em que eu estava saindo de uma empresa para ir para ir para outra e toda a tripulação se juntou, compraram um bolo com direito a velinha de aniversário e tudo, só pra me desejarem boa sorte. Além disso, fizeram no último dia de voo, os passageiros durante o serviço de bordo escreverem mensagens de boa sorte nos guardanapos e me entregarem. Quase não consegui pegar os guardanapos de tanto que eu chorava. Coisas assim não há nada que pague!

Tem idéia de para quantas cidades/países já voou?
Uau! Todo território brasileiro, toda América do Sul, alguns países da América Central, México, Estados Unidos, França, Itália, Alemanha, Espanha, Portugal, Reino Unido… Acho que é isso…. (risos)

Qual o seu destino favorito? E qual destino que mais voou?
O que mais voei ainda é dentro do Brasil, mas viajo muito para o Mercosul. Gosto muito de Santiago, no Chile, e embora quase ninguém goste, adoro ir para Buenos Aires.

Teve alguma situação que mais marcou para você?
Uma passageira que do nada foi na galley, leu minha mão e disse tudo o que iria acontecer na minha vida. E até hoje o que ela falou aconteceu e continua acontecendo. Sinistro!!! Só falta eu ficar rica…. (risos)

Quanto tempo você fica em uma cidade? Quanto tempo fica longe de casa?
Isso depende de vários fatores. Pela regulamentação você não pode voar por mais de 6 dias consecutivos. Então esse é o máximo de período que você pode ficar longe de casa.

Já o tempo que você fica em uma cidade varia entre 12, 24 até 36 horas. Contudo, depende da necessidade da escala de voo da empresa que você voa, da malha aérea da empresa, se é grande ou não, quais as rotas que a empresa faz, a rotatividade das aeronaves, o número de tripulantes disponíveis, etc.

E manter um relacionamento, é possível?
Claro! Tudo depende de como você conduz a tua vida. Eu já fui casada, tenho um filho! Trabalho normalmente, saio com minhas amigas, visito meus familiares… Tudo em horários “vamos dizer” alternativos, mas dá pra viver muito bem.

Mande um recado para os que, assim como você é, querem se tornar comissários de voo
Se é este o teu sonho…. Corra atrás!! É muito bom! Estudem, adquiram conhecimento e cultura, e voem o mais alto que puderem.

Deus cedeu os céus para que façamos dele nosso sonho e para que cuidemos dele como se fosse nosso! Ver a céu estrelado a noite, a terra bem pequenininha lá em baixo, voar acima das nuvens, a raridade de ver uma estrela cadente e até mesmo a curvatura da terra nos faz seres diferenciados, mas nem por isso mais poderosos…

Por isso não ultrapassemos os limites dos céus, do ar e de nossa segurança… Não sejamos mais arrogantes por isso, continuemos sendo humildes porque ele só nos cedeu os céus, ainda não nos deu….

Beijos a todos!!!

Agradecemos a aermoça Deusa, da TAM Linhas Aéreas!

Foto: blog da TAM

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