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Comissária de bordo: como ser aeromoça?

Aeromoça – Após a entrevista com a comissária de voo Agleine, publicamos hoje entrevista de outra aeromoça da Passaredo Linhas Aéreas.

A entrevista a seguir conta um pouco sobre a trajetória de Tamyris, 22 anos, natural de Ribeirão Preto. Tamyris formou-se comissária de bordo há pouco mais de 2 anos e trabalha na Passaredo desde que se formou aeronauta. Confira abaixo!

Por que você resolveu entrar no mundo da aviação? Quando decidiu que gostaria de se tornar aeromoça?
Primeiramente pela paixão do meu pai, ele mesmo jamais voou, mas sempre foi fascinado por tudo que se refere à aviação e desde menina me levava para ver avões no aeroporto.


Além disso, eu sempre achei uma profissão linda. Sempre digo que nasci para trabalhar com pessoas, não me vejo em outra área que não seja das relações  humanas.

Logo depois que você se formou, já começou a mandar currículos? Demorou para conseguir um emprego?
Me formei na escola de aviação e não passei na prova da ANAC na primeira tentativa. Mesmo assim enviei meu curriculum para Passaredo, onde eles me chamaram pra trabalhar no check in. Somente depois de ser aprovada na banca da ANAC que migrei para o voo como comissária.

A profissão era o que você esperava?
Não, na verdade ela exige muito mais responsabilidade, e é bem cansativa… Brincadeir! (risos) É muito mais apaixonante do que havia pensando, além de envolver muita doação, porém é “tudo de melhor”!!!

Você não tem medo de voar? Já passou por alguma situação complicada durante algum voo?
Nunca tive. Acredito muito em Deus, e acredito que se algo acontecer é porque foi de Sua vontade. Porém já passei po algumas situações complicadas sim. É muito comum enfrentarmos turbulências fortes ou moderadas, longas ou curtas. E por vezes não são somente os passageiros que assustam, nós, tripulantes, também assustamos. De qualquer modo faz parte da nossa profissão, por isso temos que encarar com naturalidade.

O que é mais fácil e mais dífícil em ser aeromoça?
Eu ainda não encontrei nenhuma dificuldade. Acredito que ter 50 ou até mais passageiros sob nossa responsabilidade é algo muito sério. Muitos acham que o trabalho do tripulante comercial se resume apenas ao serviço de bordo, poucas teem a consciência de que em uma situação de emergência, nós, tripulantes, somos os únicos treinados e aptos tecnicamente a salvar a vida de todos.

Como é o relacionamento entre a tripulação comercial (comissários de voo) e a tripulação técnica (pilotos e co-pilotos)?
Na Passaredo nunca tive problema nenhum nem com tripulantes técnicos, nem com tripulantes técnicos. Somos uma família, todos se conhecem. Claro que sempre tem um ou outro com quem não temos muito afinidade, porém o maior desafio da vida é aceitar, respeitar e conviver com as diferenças das pessoas.

Quando e para onde foi seu primeiro voo?
Foi em abril de 2008, para Salvador.

Qual o voo foi mais marcante pra você até agora? Por quê?
Ahhhhh! Foi o voo onde havia o Mário (4 anos) e a Katarina (2 anos), duas crianças incríveis. Eu terminei de fazer o serviço de bordo, e quando estava sentada para o pouso, o Mário que estava bem próximo a mim, juntamente com a Katarina (sua irmã) falou para ela: “-  A Tamilis é minha amigaaaaa tá?” A Katarina respondeu chorando: “- É minha também…” e os dois ficaram discutindo e chorando pra ver de quem que eu era mais amiga. (risos)

Tem idéia de para quantas cidades/países já voou?
Cidades, umas…15 todo mês… (risos)

Qual o seu destino favorito? E qual destino que mais voou?
Meu destino favorito é o Rio de Janeiro, uma cidade extremamente perfeita vista de cima. Uma cidade que estou toda semana é Ji-Paraná, que por sinal tem a melhor pizza que eu já comi.

Teve alguma situação que mais marcou para você?
Sim, um dia indo para o Rio de Janeiro, uma senhora de 95 anos estava à bordo, sozinha, e precisava tomar uns remédios controlados. E eu com aquela preocupação toda cuidei dela com uma certa “prioridade”… No final do voo, ela abriu um sorriso (o mais sincero que já recebi) e me agradeceu. Ela disse: “- Você foi meu anjo esta noite!”

Quanto tempo você fica em uma cidade? Quanto tempo fica longe de casa?
Ficamos no máximo de um dia para o outro. Geralmente isso acontece umas duas vezes por semana. Na Passaredo, quase sempre fazemos o voo e voltamos para nossa casa.

E manter um relacionamento, é possível?
Com toda certeza, precisamos apenas encontrar uma pessoa compreensível, e em quem confiamos muito. Nossa profissão exige muito de nós, e conhecemos muitas pessoas, todos os dias.

Mande um recado para os que querem se tornar comissários de voo.
Eu só desejo força. Força Sempre, pois é o que menos temos, as dificuldades da vida nos impõe sempre muitas barreiras, com isso ficamos fracos, desanimados. Não desanimem, insistam, por mais que você já tenha lutado, por mais que você esteja cansado de tentar. No final vale a pena, e tudo vai dar certo, se não deu é porque não ainda não chegou ao final.

Paixão essa é a palavra que resume a profissão. Acordar todos os dias e ter a certeza que receberá um sorriso Sincero. Isso não tem nada que substitua. Não há como estar infeliz, se o céu está sempre ali ao seu lado, basta olhar pela janela…

Foto: flickr

1 Comentário

  1. Daniel Messias

    Quero indicar minha noiva para ser comissária!

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