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Boeing 747 – A Era do Jumbo!

A década de 1960 foi uma era de ouro para a aviação. O número de passageiros aumentava rapidamente e os aviões tinham substituído os navios como veículos ideais para viagens de negócios e de turismo.

Em meio a esse entusiasmo, a Pan American, então a maior companhia de aviação do mundo, pediu à Boeing que desenvolvesse um transporte gigante de passageiros, capaz de levar 450 pessoas.

A ideia não entusiasmou muito os executivos da fábrica baseada em Seattle. Todos os especialistas apostavam que o futuro estava nos aviões supersônicos. A partir de 1975, as rotas aéreas seriam dominadas pelo Concorde franco britânico e pelo Boeing 2707 americano. Aos lentos jatos subsônicos só restaria o transporte de carga. Mas o pedido da Pan Am não podia ser ignorado. A empresa prometia comprar 25 jumbos, assim que estivessem disponíveis. A encomenda foi aceita, mas os engenheiros da Boeing tomaram medidas para evitar o prejuízo.

O Boeing 747 seria um avião de dois andares, com a cabine do piloto e uma sala-de-estar situadas numa corcova, acima do convés de passageiros. Uma escada em espiral faria a ligação do andar inferior com o de cima. O motivo era engenhoso. Se os supersônicos dominassem mesmo as rotas aéreas, os jumbos 747 poderiam ser transformados em aviões de carga, com uma porta basculante no nariz. E a cabine do piloto, ficando no andar de cima, não atrapalharia o carregamento. De qualquer forma, a Boeing sairia ganhando. 

Todavia, os profetas estavam errados. Com a crise do petróleo na década de 1970, os supersônicos foram abandonados e o 747 tornou-se o avião de passageiros de maior sucesso no mundo. Os primeiros entraram em operação em 1970 e mudaram a história do transporte aéreo. Sua cabine larga, com dez fileiras de poltronas, parecia uma sala de cinema. E realmente filmes eram projetados em telões durante as viagens.

O preço das passagens caiu e em países como o Japão os jumbos foram usados no transporte de massa. Além de ser o favorito das linhas aéreas, o Boeing 747 ficou tão popular que virou estrela de Hollywood. Se forem reunidos todos os filmes com cenas a bordo do 747, eles ocupariam toda uma estante na locadora.

Cinema

Charlton Heston e Karen Black “pilotaram” um 747-100 em “Aeroporto 1975”. Jack Lemon repetiu a performance em “Aeroporto 1977”. A agência espacial americana Nasa comprou um jumbo da American Airlines e usou o avião para carregar “nas costas” seus ônibus espaciais. E nesta configuração o 747 apareceu em “007 Contra o Foguete da Morte”. A Casa Branca também se rendeu ao charme do elefante voador e comprou dois jumbos 747-200 para servirem de transporte presidencial. E como avião do presidente dos EUA o 747 foi estrela dos filmes “Independence Day” e “Força Aérea Um”, com Harrison Ford. Na década de 1990, Kurt Russel e Halle Barry salvaram um 747-400 de virar arma de terroristas islâmicos em “Momento Crítico”. E, por último, Russel Crowe e Helen Slater viveram momentos de pânico a bordo de um 747-200 em “No Way Back”.

Em 1995 a era do jumbo deu sinais de que ia terminar. A crise no setor aéreo tornou o grande avião antieconômico. A maioria das empresas preferiu substituir seus 747 por aviões menores, de dois motores e operação mais rentável, como o Airbus-300 e o Boeing 767. Com capacidade para 350 passageiros, esses aviões passaram a ser usados nas principais rotas transcontinentais e até em rotas transoceânicas.

Ao Boeing 747 restou apenas os percursos mais longos, como Rio de Janeiro-Tóquio e Londres-Sydney, na Austrália. Rotas onde era usado o novo 747-400, cuja corcova ampliada permitia colocar toda a classe executiva no segundo andar do avião.

Futuro da aviação comercial continua imprevisível
Hoje, depois da falência de várias empresas famosas, como a Pan American e a TWA americanas, o futuro da aviação comercial continua tão imprevisível quanto nos anos 60. Os grandes fabricantes apostam no crescimento do número de passageiros. Já está em operação o maior avião do mundo. O gigantesco Airbus 380, de dois andares e capacidade para transportar 800 pessoas.

A Boeing promete contra-atacar com uma nova versão do jumbo, o 747-8, (foto) que terá asas curvas como um albatroz.
Com a aposentadoria do Concorde em 2002, a era dos voos supersônicos terminou, pelo menos por enquanto. Mas a Nasa sonha em concretizar o velho sonho dos anos 60 com o AST, o Transporte Supersônico Avançado, que poderá ser realidade em 2020.

De Santos Dumont ao Airbus 380, o avião continua sendo parte de nossas vidas, e passa dos 100 anos cheio de promessa e vitalidade.

A história da aviação termina aqui com o último desta série de cinco artigos. E você tem algo a contribuir? Nos envie um e-mail com informações que façam parte da história da aviação.

Foto: Aero Icarus

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