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Aviões de Guerra e a história da aviação

A aviação nasceu na primeira década do século 20, mas foi na terceira e na quarta que ela atingiu a maturidade. Os aviões de 1910 eram monomotores de madeira que só podiam transportar o piloto e, no máximo, um passageiro.

Com a Primeira Guerra Mundial isso mudou. Entre 1914 e 1918, surgiram os primeiros aviões de grande porte, para missões de bombardeio.

Quando a guerra acabou esses primeiros bombardeiros foram convertidos para o transporte de correspondência e passageiros. Nascia o correio aéreo e as primeiras empresas de aviação. Uma delas, a Imperial Airways britânica (foto), já oferecia voos regulares para várias cidades da Europa em 1926.

O alcance das novas aeronaves também era muito maior e os primeiros voos transcontinentais começaram a ser tentados. A imprensa apoiava os aviadores de modo entusiástico e para o público eles eram heróis, despertando tanta admiração quanto os astronautas, hoje em dia. Em maio de 1927, um jovem piloto americano, Charles Lindbergh, fez a primeira travessia solitária do oceano Atlântico Norte, pilotando um pequeno avião de Nova York até Paris.

Quando voltou para os EUA, Lindbergh desfilou em carro aberto pelas ruas de Nova York, sob uma chuva de papel picado. Virou uma celebridade, mas como muitos pioneiros da aviação o loiro aviador teve uma vida marcada pela tragédia. Em 1932 seu primeiro filho foi retirado do berço e assassinado por um seqüestrador.

Se Lindbergh era o herói da aviação norte-americana, a heroína era a aviadora Amélia Earhart.

Em 1932 ela tornou-se a primeira mulher a pilotar uma aeronave através do Atlântico, seguindo a rota de Lindbergh num monomotor Lockheed Vega. No mesmo ano atravessou os EUA, de Los Angeles a Nova Jersey em 19 horas de vôo, um recorde para a época. Tentando aventuras cada vez mais ousadas, a simpática Amélia atravessou o oceano Pacífico, indo até o Havaí em 1935.

Mas foi superada pela aviadora inglesa Amy Johnson, que foi da Inglaterra até a Austrália em 1930, pilotando um frágil biplano de madeira, o Gipsy Moth. Ambas as aviadoras morreram de maneira trágica. Amy Johnson se afogou quando seu avião caiu no Rio Tamisa, durante a Segunda Guerra Mundial. Amelia Earhart desapareceu com seu namorado e co-piloto quando tentava dar a volta ao mundo, em 1937, a bordo de um Lockheed Electra. O último contato com eles foi feito quando se aproximavam da ilha Howard, no Pacífico. Durante anos correu o boato de que o casal fora capturado e executado por soldados japoneses, mas isso nunca foi provado.

Sorte
Melhor sorte teve a pioneira brasileira Anésia Pinheiro Machado. Em 1922, Anésia virou notícia ao pilotar seu biplano de São Paulo ao Rio de Janeiro, para comemorar o centenário da Independência do Brasil. A intrépida aviadora fez uma escala em Pinheiral, onde seu aviãozinho pousou no campo de futebol e foi cercado por uma multidão. Era a primeira vez que um avião pousava em Pinheiral (e ao que tudo indica também foi a última). Anésia recebeu uma carta de congratulações do próprio Santos Dumont e continuou voando, tirou licença de piloto comercial em 1940 e em 1956 atravessou a Cordilheira dos Andes e foi considerada Decana da Aviação Mundial pela Federação Aeronáutica Internacional. Morreu de causas naturais, em 1999, aos 97 anos de idade.

Época dos voos heroicos acabou em 1934
A época dos pioneiros e dos voos heroicos acabou em 1934, um pouco antes da morte de Amélia Earhart. Naquele ano, um empresário britânico organizou uma corrida de aviões para disputar quem chegaria primeiro num voo de Londres a Sydney, na Austrália, atravessando todo o continente Asiático e o mar de Java. O primeiro lugar ficou com um avião experimental inglês, o DH-88 Comet, construído especialmente para a competição.

Mas o segundo e o terceiro lugares ficaram com aviões comerciais. Um DC-2 da empresa holandesa KLM e um Boeing 247. O feito demonstrou que os aviões comerciais construídos em série já tinham um desempenho igual ao das aeronaves experimentais. O DC-2 e o Boeing 247 estavam bem distantes dos biplanos de madeira da década anterior. Eram aviões metálicos, feitos com chapas prateadas de alumínio, com cabines fechadas, dois motores (para maior segurança) e capacidade para transportar 30 passageiros a uma velocidade de 400 quilômetros por hora.

Voar não era mais só para pilotos aventureiros. Tinha se tornado o meio de transporte favorito das celebridades, de artistas a presidentes. Os acidentes ainda eram freqüentes, mas a rapidez e o prestígio de se chegar a algum lugar de avião faziam os famosos aceitarem os riscos.

Os alemães tentaram enfrentar a concorrência dos rápidos aviões americanos com os lentos e enormes zepelins. Mas, embora transportassem até cem passageiros, esses navios do céu eram muito lentos e atravessavam o oceano a 130 quilômetros por hora. Quatro vezes mais lentos do que os aviões da época. Foi nos zepelins, entretanto, que surgiu uma profissão que igualaria o charme e o heroísmo dos pilotos. As aeromoças e os comissários de bordo. Mas falaremos disso na semana que vem.

A história da aviação continua na semana que vem com o terceiro desta série de cinco artigos. | Foto: Flickr

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