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Aeromoça fala sobre o mundo da aviação!

Aeromoça – “Jamais podemos esquecer nossas raízes! Ao valorizarmos nossa história, corremos um risco menor de incorrer nos erros do passado”.

Conheça a comissária Patrícia, da Air Minas.

A comissária de voo Patricia, 39 anos, nasceu em Porto Alegre, RS e mora em Belo Horizonte.

A aeromoça cursou alguns semestres de Psicologia, mas se formou em Turismo em 2010.

É aeronauta há quase 20 anos e trabalhou na Air Minas como Chefe de Comissárias desde 2008.

– Ser comissária de bordo mudou minha vida!

Por que você resolveu entrar no mundo da aviação? Quando decidiu que gostaria de se tornar aeromoça?
O desejo nasceu na infância, quando era fascinada pelo uniforme, tipo de vida, ambiente da Base Áérea de Canoas-RS, onde meu pai trabalhou como médico residente.

Também vim de família de aeronautas, tendo um tio que voou anos como Comandante na Varig, um primo que voava como comissário de voo, na mesma empresa e outro primo que voou em diversas empresas, e atualmente excerce a função de comandante na TAM.

Logo depois que você se formou, já começou a mandar currículos? Demorou em entrar para uma empresa aérea?
Creio que já respondí um pouco desta questão acima, mas quando a gente quer muito atingir um objetivo o tempo parece que passa mais lento, não é mesmo?! Sempre gostei de me sentir livre, com necesidade de conhecer novos mundos. Esta vontade me levou a abandonar a faculdade de Psicologia e me mudar para São Paulo, a fim de alçar voo.

Você morava em Porto Alegre, mudou-se para São Paulo e atualmente Belo Horizonte. Isso com certeza mudou sua vida. Valeu a pena essa mudança?
As coisas foram bem complicadas no início, pois além de passar pela adaptação em uma cidade enorme como São Paulo, precisei aprender a conviver com a solidão, trabalhar em restaurante (trabalhei na primeira Pizza Hut que abriu no Brasil, em 1991) e no Shopping Center Ibirapuera, além de realizar mais de nove seleções, em diversas empresas, até conseguir ingressar na Varig.

Passei por fases em que pensei em desistir, muita saudade da família e amigos. Porém, sempre acreditei que toda mudança é positiva e que o desejo literalmente “move montanhas”!

Acreditar em meu potencial, ter fé, contar com amigos e família e continuar a me capacitar para a área através de cursos foram fundamentais para prosperar na profissão.

Pra mim, este quase um ano que fiquei em São Paulo, sem trabalhar na aviação, valeu como dez! Sem contar a fase que saí da Varig, em 2000, retornando somente em 2008 para a Air Minas, aí pareceram 20 anos! Realmente amo o que faço e onde estou!

A profissão era o que você esperava?
Sim! Tudo e mais um pouco! Um sonho que é realidade! E agradeço todos os dias por isso.

Você não tem medo de voar? Já passou por alguma situação complicada durante algum voo?
Não tenho medo de voar não. Se analisarmos pelo lado da lógica, acontecem mais acidentes em estradas do que no ar.

Situações complicadas e talvez até traumatizante acontecem às vezes. Na época em que iniciei na Varig havia a tradição do “batismo” e isto representava ser literalmente “sacaneada” pelos colegas – que pregavam uma peça em todos os “novinhos” da aviação, logo após o voo de check.

Em um voo entre Boa Vista e Manaus toda tripulação se reuniu e criou a “estória” de que não teríamos combustível suficiente para pousar em Manaus, pois o aeroporto encontrava-se inoperante por questões meteorológicas.

O Comandante reuniu os comissários na galley do Boeing 737-200 (mesmo modelo que havía caído na Amazônia tempos atrás) e avisou que infelizmente os aeroporto de Manaus e Boa Vista encontravam-se “fechados” e que já estávamos aguardando em espera por tempo demais, sem condições de retorno e que seríamos forçados a realizar um pouso de emergência na mata.

O clima foi de terror total! Minhas colegas foram ótimas atrizes! No início pensei que fosse brincadeira mesmo, mas a atuação delas foi tão real que depois de um tempo me encontrei em prantos! Foi um fiasco total! (risos)

O que é mais fácil e mais difícil em ser comissária de voo?
O mais fácil é lidar com pessoas, o que também é o mais difícil!

Como é o relacionamento entre tripulação comercial e tripulação técnica?
Difícil de generalizar, porém geralmente o relacionamento entre comissários tende a ser de coleguismo e respeito, no mínimo. Afinal somos “treinados” para trabalhar em equipe de forma harmoniosa, a fim de contribuir para o melhor desenvolvimento do voo e máxima qualidade no atendimento aos passageiros.

Em relação ao relacionamento entre comissários e comandantes, pela minha vivência e formação, observo que há muito respeito, quando há também profissionalismo.

Precisamos sempre saber distinguir entre relações profissionais e pessoais, porém essencialmente precisamos manter a confiança. Assim como nossas vidas dependem do desempenho da tripulação técnica, somos igualmente responsáveis por manter a ordem na cabine de passageiros, isto é, pela segurança a bordo, segurança de todos!

Quando e pra onde foi seu primeiro voo?
Meu primeiro voo foi para Boa Vista. Imaginem! Uma “alemã”, saída de “Portinho” (Porto Alegre), diretamente para o outro lado do país! Foi como uma aventura!

Qual o voo foi mais marcante pra você até agora? Por quê?
Com certeza o voo mais marcante foi meu voo de retorno à aviação, na Air Minas, em 2008! Foi como uma vitória, há muitos anos acalentada.

Tem idéia de para quantas cidades/países já voou?
Francamente não tenho idéia! Mas foram inúmeras…

Qual o seu destino favorito? E qual destino que mais voou?
Ppra mim, destino favorito é aquele a empresa em trabalho me mandar voar. Na real, para um tripulante, o destino é o menos importante.

A melhor parte é estar dentro do avião! Voei muito o trecho São Paulo – Porto Alegre, pois pertencia a base São Paulo no início, e em 1995 fui para a base Porto Alegre, onde a maioria dos voos eram “bate-e-volta” para São Paulo.

Também pernoitei muito em Fortaleza, cidade que guardo em meu coração, com um carinho enorme!

Teve alguma situação que mais marcou para você?
Diversas situações me vem a mente, porém toda vez em que pouso em São Paulo (Aeroporto de Guarulhos) sinto o peito apertado, creio que significa a saudade de um tempo que passou.

Assim como fica difícil controlar as lágrimas quando pouso em Porto Alegre. Jamais podemos esquecer nossas raízes! Ao valorizarmos nossa história, corremos um risco menor de incorrer nos erros do passado, além disso, as vivências nos tornam seres humanos mais ricos e completos.

Quanto tempo você fica em uma cidade? Quanto tempo fica longe de casa?
A escala da Air Minas é muito tranquila. Fazemos muitos voos que vão e voltam no mesmo dia e pernoites de uma noite apenas (com exceção de uma chave de voo, em que ficamos inativos no final de semana em Uberlândia).

E manter um relacionamento, é possível?
Sim, manter um relacionamento com alguém é plenamente possível. Claro que dependerá da capacidade da sua “parceria” se adaptar neste “mundo a parte”, que é a aviação!

Acredito que a questão da comunicação é fundamental neste caso. Cabe a nós usarmos as ferramentas adequadas para cultivarmos a relação! Creio que a internet, o telefone, os valores de passagens mais acessíveis são bons exemplos de como aproveitar oportunidades para conseguir viver uma vida profissional e pessoal em harmonia, sem abrir mão de um ou outro.

Mande um recado para os que, assim como você é, querem se tornar comissário de voo.
Jamais desistam! Acreditem e tenham fé em seu Deus. Comunicação, contatos, redes sociais, cursos de aperfeiçoamento voltados para a aviação e/ou pessoas, idiomas e outros, fazem sim a diferença em uma seleção!

Invista sempre em tua formação! Cada vez mais o mercado busca por profissionais capacitados. Portanto: faça a diferença! Busque ser MAIS, como pessoa e profissional!

Agradecemos à aeromoça Patrícia, da Air Minas!

Foto: Google Images

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