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Aeromoça internacional fala sobre voos na KLM

Aeromoça – Todo ano a companhia aérea holandesa KLM transporta mais de 20 milhões de passageiros. A empresa, em sua parceria com a Air France, formou uma das maiores linhas aéreas do mundo.

Atualmente, a KLM possui cerca de 8500 comissários de bordo, e Manon M. é uma delas. Num voo de 12 horas de São Paulo a Amsterdã, a aeromoça cedeu alguns minutos do seu tempo de folga para uma breve entrevista aos amigos do blog.

Acomodada em uma cadeira dobrável na cozinha do avião e com um jornal no colo, a gentil aeromoça da companhia aérea francesa, explicou um pouco sobre sua rotina, o treinamento para ser comissária de voo na KLM e as curiosidades e problemas enfrentados nas viagens.

Nina: Por que você decidiu seguir a carreira de aeromoça?

Manon M.: Eu sou da Holanda, mas quando eu era pequena nós nos mudávamos muito, por causa do emprego do meu pai. Não tinha ninguém na minha família que fizesse nada parecido, mas nós tivemos um vizinho que era piloto. Então, aos 12 anos, decidi que queria ser aeromoça, para poder viajar.

Nina: Há quanto tempo você trabalha como comissária de bordo?

Manon: Sou comissária há cinco anos, mas estou na KLM há apenas três. Nesse tempo, eu pude conhecer muitos lugares e pessoas, porque em cada voo é uma equipe diferente. E também pude melhorar meu inglês.

Nina: Como foi o treinamento para conseguir o emprego?

Manon: O treinamento só demorava quatro semanas na outra empresa em que trabalhei, mas na KLM durou seis semanas. Aprendi todos os procedimentos de segurança da aeronave e também como tratar os passageiros, como servi-los e o que fazer em situações de emergência. Tinha prova todos os dias, nos quais precisávamos acertar pelo menos 80%, mas não é tão difícil.

Nina: Você já teve que usar algum procedimento de emergência?

Manon
: Não! Graças a Deus, não! (risos) Mas os procedimentos de segurança nós usamos toda hora, para fechar as portas, arrumar as bagagens, acomodar os passageiros…

Nina: Você não tem medo de voar?

Manon: Não. No avião, eu me sinto completamente segura, como se estivesse em casa. Só tive medo uma vez em que estava nevando muito em Amsterdã e também tinha muita neblina, e por isso não conseguíamos pousar. O avião tentou pousar três vezes, mas não conseguiu, e já estávamos no ar há muito tempo. A quarta tentativa tinha que dar certo, mas no final ficou tudo bem, nós conseguimos pousar e nada aconteceu.

Nina: Quanto tempo você fica numa cidade?

Manon: Depende do tempo de viagem. Num voo de 12 horas, por exemplo, ficamos cerca de dois dias. Eu pude conhecer São Paulo já. Nós ficamos em hotéis no centro das cidades, e não apenas próximos ao aeroporto. Quando são voos dentro da Europa, ficamos na cidade por 24 horas.

Nina: Quando o avião pousar agora em Amsterdã você vai continuar viagem?

Manon: Não, não! Nós temos um tempo máximo de voo que podemos fazer. Agora vou ficar quatro dias em Amsterdã. Só continuamos viagem quando fizemos pequenos voos. Normalmente nós fazemos três voos longos por semana, mas eu me ofereci para trabalhar em quatro, que é o máximo possível.

Nina: Como é a rotina dentro do avião?

Manon:
As primeiras três horas de voo são bastante ativas, e as duas últimas também, porque é quando nós servimos bebida e comida e acomodamos os passageiros. Cada um de nós tem duas horas para dormir, então nos revezamos: quando uma está descansando, outras duas ficam aqui na cozinha. Hoje o voo estava tranqüilo, então eu tive 2 horas e 45 min. para dormir, o que não é mal (risos).

Nina: Você não tem problema para dormir com o fuso horário?

Manon: Não, depois de um tempo a gente se acostuma. Mas acho que para uma pessoa que tem uma rotina muito certinha, faz tudo sempre no mesmo horário, seria difícil para se acostumar. Pra mim é fácil.

Nina: Você não sente saudades de casa?

Manon: Na verdade, não! (risos) Mas acho que sou a única. Eu sinto falta dos meus amigos, mas quando estou em Amsterdã eu saio com eles. Normalmente eu viajo por uma semana e passo quatro dias em casa, então consigo vê-los bastante.

Nina: E para manter um relacionamento, não é complicado?

Manon: Bem, não agora, mas quando eu tinha um namorado, não era tão difícil. A pessoa tem que entender que isso é um estilo de vida, que é o meu trabalho, senão não dá certo.

Nina: Sempre escutamos dizer que as comissárias de voo precisam agüentar passageiros chatos. Como você lida com eles?

Manon: Os passageiros que têm medo de voar são ok, os chatos são os que reclamam muito. Quando um passageiro reclama, eu entendo que ele está falando com meu uniforme; eu sou a pessoa com quem ele pode falar da empresa, então não levo para o lado pessoal. E também entendo o estresse deles, sabe? Já passaram por trânsito, às vezes eles já estão num segundo voo ou não gostam de voar, então tento ser compreensiva.

Foto: Aero Icarus

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