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Aeromoça – Estrela da vida inteira

Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho nasceu no Recife no dia 19 de abril de 1886, na Rua da Ventura, atual Joaquim Nabuco.

Autor de romances como “Libertinagem” (1930), e poemas antológicos como “Os Sapos” (1922) e “Vou-me embora pra Pasárgada” (1986), o modernista faria hoje 125 anos se estivesse vivo.

Em homenagem ao poeta e a todos leitores do Portal Meio Aéreo reproduzimos o poema “Discurso em Louvor da Aeromoça“:

Aeromoças, aeromoças,
Que pisais o chão
Com donaire novo,
Não pareceis baixar de céus atuais
Mas dos antigos,
Quando na Grécia dos deuses ainda vinham se misturar com os homens.
Píndaro gostaria de cantar o vosso quotidiano heroísmo,
tão simples, a vossa graça, a vossa bondade.
No entanto, nada mais moderno do que vós, ó sorrisos bonitos de chegada e partida nos aeroportos.
quem sem verdade e sem alma vos classificou de aeroviárias
A vós, autênticas aeronautas, irmãs intrépidas dos aviadores?
Em nome dos sonhos frustrados de Clícia Zorovich,
Em nome da vida frustrada de Clícia
Reinvidiquemos para vós a condição de tripulantes,
Ó flores da altura,
Insensíveis à vertigem e ao medo.
Santíssima Virgem Maria, mãe de Deus e advogada nossa,
Dai,
Dai um dia do vosso mês,
Cedei o último dia do vosso mês
Para que nele cantemos, louvemos, festejemos, agradeçamos
O quotidiano heroísmo, a graça, a bondade das aeromoças.
Alô, alô, Aerovias Brasil, Linha Aérea Transcontinental Brasileira, Linhas Aéreas Paulistas, Lóide Aéreo Nacional, Nacional Transportes Aéreos, Panair do Brasil, Real Sociedade Anônima de Transportes Aéreos, Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul, Varig, Vasp, Viabrás:
Melhorai a condição da aeromoça!
Poeta Vinícius de Morais, Sunset Bolevard, 6.606, Los Angeles,
Vem agora comigo celebrar a aeromoça;
Poeta e futuro senador Augusto Frederico Schmidt,
escrevei no Correio da Manhã sobre a aeromoça,
Mandai flores da Gávea Pequena
Para a aeromoça.
Passageiros para São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Belém do Pará,
Pedi todos, A deus e aos homens,
Pela aeromoça.

[Manuel Bandeira. Estrela da vida inteira, p. 214]
O poema foi extraído do livro “Estrela da vida inteira“, de Manuel Bandeira. para uma análise de seus poemas, recomendamos para quem vai prestar vestibular, a leitura do “Guia de Leitura de Estrela da Vida Inteira“, de Sergius Gonzaga.

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